8.1.14

Alcoolismo e adolescentes


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Foto de um homem com um copo na mão
É preocupante o uso precoce do álcool, uma vez que quanto mais cedo se incia o uso desse psicotrópico - o álcool etílico ou etanol -, tanto maior é o risco de se desenvolver dependência em relação a ele.
Uso social e abuso
O grande problema talvez seja o fato de que os limites entre o uso social e o abuso do álcool nem sempre ficam claramente definidos. Entre outros, os estudiosos do problema apontam alguns sinais de alerta, para os quais é bom estar ligado:
  • ficar de pileque em toda festa a que você vai;
  • sentir falta do álcool em situações sociais ligadas ao prazer;
  • o fato de os outros repararem que você está se excedendo com frequência;
  • ingerir bebidas alcoólicas pela manhã;
  • arrepender-se frequentemente do que fez quando bêbado;
  • sentir frequentemente culpa por ter bebido;
  • já ter-se prometido beber menos e não conseguir;
  • esquecer do que fez na noite anterior, mesmo que os amigos lhe digam que você não apagou.

    Droga legal e socialmente aceita
    O álcool é considerado particularmente perigoso para o adolescente por motivos diversos. Em primeiro lugar, pelo fácil acesso: a lei 9.294/96 proíbe a venda de bebidas alcóolicas para menos de 18 anos, mas essa é uma daquelas leis que "não pegam", por incapacidade de fiscalização das autoridades.

    Em segundo lugar, a bebida é tida como um elemento de socialização, de auto-afirmação e de inclusão no mundo adulto. Além do estímulo da propaganda e dos amigos, muitas vezes o contato com o álcool é propiciado pelos próprios familiares do adolescente. Os pais não têm em relação ao etanol, por exemplo, o cuidado que costumam ter com a maconha.

    Uma pesquisa realizada pela Universidade Duke (EUA), em 2000, demonstrou que o uso frequente do álcool na adolescência produz danos ao cérebro, afetando a memória e prejudicando a aprendizagem, além de favorecer o desenvolvimento de problemas familiares, com violência inclusive, e de uma vida sexual promíscua - o que se tornou um comportamento de alto risco na era da aids.

    Construção da identidade
    O problema é que a adolescência, como lembram os psicólogos, é a fase de construção da identidade. Portanto, é particularmente ruim que nessa idade o indivíduo se habitue a experimentar situações específicas sobre o efeito do álcool: festas, praias, namoros, relações sexuais ou afetivas.

    Assim, criam-se associações entre o uso de bebidas e as sensações de prazer, de modo que o consumo alcoólico vai se tornando frequente, o que abre caminho àdependência, que pode ser tanto física quanto psicológica.

    Segundo os especialistas, a dependência decorre, entre vários fatores, de o álcool ser uma droga que proporciona simultaneamente reforços positivos (desperta sensações de prazer) e negativos (alivia sensasões de desprazer). É comum, por exempo, os dependentes combaterem os efeitos desagradáveis da ressaca começando a beber novamente.

    O fenômeno da dependência está associado ao da tolerância, isto é, a necessidade de se ingerir mais rapidamente quantidades cada vez maiores de álcool para se chegar ao estado de embriaguez. Desse modo, em vez de ficar "alto" passa-se logo ao "chapado". A partir daí, os efeitos da bebida podem ser devastadores tanto no nível social, quanto no psicofisiológico.

    Tratamentos
    O alcoolismo não tem propriamente cura, mas tem controle a partir da abstinência, ou seja, de simplesmente não se tomar nenhum gole. Para isso, muitas vezes é necessário o tratamento psiquiátrico e já existem substâncias que facilitam o combate à doença.

    naltrexona funciona como inibidor das sensações de prazer proporcionadas pelo bebida. O acamprosato reduz os sintomas desagradáveis provocados pela abstinência. Mas sempre convém lembrar que cada caso é um caso e só um profissional da área é capaz de determinar o tratamento mais adequado para cada um. Em geral, o tratamento medicamentoso deve ser acompanhado de psicoterapia.

    Finalmente, não se pode deixar de lembrar que a terapia dos Alcoólicos Anônimos também tem ajudado muita gente a se livrar do alcoolismo há muito tempo, mesmo sem o uso de medicamentos. Nesse caso, o que conta é o apoio do grupo ao indivíduo e a influência que um exerce sobre o outro.

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